segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Portugal 96: AS 3 PRINCIPAIS FALÁCIAS* DA COMUNICAÇÃO SOCIAL E DAS REDES SOCIAIS

*Falácias são argumentos que, intencionalmente, se apresentam como não falsificáveis, verdadeiros e sérios, e que recorrem a pensamentos simplistas e meias verdades, citações e factos falsos, para iludir a consciência crítica do interlocutor; querendo parecer tão evidentes que não podem ser senão corretos.

Também podem ser chamadas sofismas, que são raciocínios fabricados maliciosamente, mas revestidos de verniz intelectual e filosófico, para intimidar e seduzir o interlocutor.

Falácia 1: A comunicação social não mostra a realidade, antes, ao tomar uma parte desta realidade como o todo, seleciona aquilo que nunca veremos, bloqueado que fica o nosso olhar, pelas imagens escolhidas pelas redações, que foram por sua vez recrutadas pelos acionistas ou pelo ministro da tutela.

A certa altura, a comunicação social deixa de falar no problema e é como se ele se estivesse a extinguir, ou deixasse de existir.

As redações dos órgãos de comunicação social dos pequenos países dependentes não produzem conteúdos, pelo que se submetem a meia dúzia de gigantescos monopólios internacionais.

Existe, claro, um rasto da passagem de jornalistas e órgãos de comunicação que estudavam o contexto político-social, verificavam as fontes e promoviam o contraditório_ que não é sinónimo de pluralismo. Mas um rasto…quase impercetível e que tende a desaparecer, por efeito da concorrência e da concentração de capital neste sector.

O pluralismo é o sucedâneo do contraditório, como o plástico é sucedâneo dos matérias nobres, faz de conta que é porcelana ou ferro; dá-nos a ilusão do livre debate de diferentes ideias, mas, na realidade, é quase sempre um coro, modelado com diferentes tonalidades da mesma  polifonia.

 Esta é a metáfora do pensamento único, embrulhado no velho papel do pluralismo, que o isola e protege do contraditório e do pensamento crítico.

Na política, passa-se exatamente o mesmo, sobretudo com o sistema bipartidário, de dois partidos dominantes que formam o chamado o arco do poder, na verdade não é um arco, mas uma besta com duas patas, que caminha de facto, lado a lado e sempre para o mesmo destino: guerra económica e financeira, guerra militar, deixando atrás de si um rasto de crise ambiental e um vazio ético.

 

Falácia 2: O mesmo fenómeno se desenvolve nas redes sociais: onde, poderosas organizações de propaganda, dos estados mais poderosos e das multinacionais, os serviços de contrainformação, completamente invisíveis, estão cobertos pela multidão de biliões de utilizadores “livres” e atuam á vontade, protegidos pela ausência de normas e regulamentação jurídicas ou morais, “libertas” de qualquer enquadramento jurídico nacional ou internacional.

O exemplo mais claro desta aparente liberdade de expressão, é o controle de 56% do capital do conglomerado Facebook, Instagram, WhatsApp, por um só acionista, Mark Zuckerberg, que, arregimenta 25.000 controladores para decidir imperialmente qual é a boa e a má informação acessível a 3 biliões de utilizadores.

E paga a conselhos de sábios, para aplicarem no monstro o verniz da democracia.

 

Falácia 3: As TV, rádios e imprensa, (e a multimédia em geral) não alinham as suas grelhas, programas, notícias e produtos, segundo o gosto do público, verificado pelo número de espetadores, ouvintes e leitores, o chamado share.

Na verdade, o público, não é ouvido nem achado para nada e são as escolhas das redações, dos acionistas, dos ministros…quem cria os produtos que, consumidos, geram o gosto, de tal modo que essas escolhas moldam o gosto,  impõem-lhe a visão do  mundo e os valores éticos e estéticos que perfilham.

Mas, as mais das vezes, os produtos e conteúdos oferecidos são, simplesmente, fúteis, inestéticos, amorais e pseudocientíficos, ou seja, alienantes.

Consequentemente, o cinema como sétima arte já não tem espaço no mercado e sobrevive nas suas margens.

 

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